Páginas

segunda-feira, 25 de julho de 2016

113 - "What did you say, Hola?! She's no diva!"





Ana sacudiu os cabelos, abrindo um sorriso de satisfação.

Em poucos segundos, começaria a sua parte favorita do concerto, aquela onde poria Letizia no seu sítio.

Nos últimos dias, ela viera à imprensa acusar Ana de estar com Ezequiel por dinheiro, chegando quase a compará-la a uma prostituta e a afirmar que Ana dava sexo em troca de conforto. Aquelas afirmações tinham sido mais do que polémicas e tinham sido replicadas na maioria das revistas cor-de-rosa de Espanha. Era uma batalha aberta, especialmente a nível virtual, já que os fãs de Letizia faziam questão de se mostrar tão atrasados mentais quanto ela, presenteando Ana com comentários insultuosos e, por vezes, até ameaçadores.

E para surpresa de Ana, muita gente a tinha defendido, os seus “fãs” tinham-na defendido e isso perturbava-a: ter fãs perturbava-a.

As razões que faziam aquelas pessoas gostar de Ana eram bem variadas: fãs do Siete Lunas que a acompanhavam havia vários anos, fãs do seu curto trabalho como modelo, fãs de Sergio que a guardavam carinho (elas mesmas muito pouco agradadas com Letizia que também tentara ganhar euros à custa de Sergio), fãs de Ezequiel e mais raramente fãs do seu trabalho como voleibolista. Para Ana, aquela admiração era confusa e por vezes desagradável e intimidante. Ela não se sentia alguém “famosa”, apesar de preencher capas de revista em Espanha, como dezenas de outras pessoas que para ela eram completamente desconhecidas…

Sempre sonhara ser reconhecida pelo voleibol, mas também sempre tivera noção que isso seria bastante difícil. O reconhecimento era outro e de certa forma Ana já não podia escapar a isso. A única solução era lidar da melhor forma possível com aquela “fama”, que felizmente ela sabia ser efémera.

- Pronta? – perguntou Raul num misto de profissionalismo e amizade.

- Muito. Estou ansiosa! Está a correr bem?

- Muito muito bem! Temos muita gente a seguir o concerto online e acho que está mais do que visto que o público está a adorar! – disse, já que o público era bem audível naquele momento.

Como na primeira pausa do concerto, a saída de Ana era preenchida com medleys de várias canções da artista acompanhada de videoclips. Era notório que algumas canções eram muito acarinhadas, já que as pessoas cantavam e gritavam mesmo que não estivesse rigorosamente ninguém no palco.

A receção àquela ideia fora bem melhor do que Ana esperava. Era bastante trabalhoso e necessitara tantas horas de preparação como o próprio concerto, mas no final valera a pena. As pessoas estavam a desfrutar o máximo possível, cantando as músicas tal como se alguém estivesse em palco.


- Foi arriscado… - reconheceu Ana.

- E valeu a pena! – garantiu Raul com um sorriso mais do que satisfeito.

Aquele tipo de concertos não era uma ideia original. Na verdade, eles eram bastante populares, especialmente nos EUA e no Brasil, em que eram organizadas festas e concertos como aquele de forma a homenagear um artista aniversariante. Uns mais amadores, outros mais profissionais.

Os irmãos Luna tinham decidido trazer a ideia até aos Siete Lunas havia alguns meses e naquela noite aquele projeto chegara ao seu auge! O balanço era mais do que positivo.

- Em menos de um minuto! – advertiu Raul, fazendo com que Ana fosse até à sua posição.

Nos ecrãs gigantes, a música com que Ana introduzira o concerto recebia os seus segundos de representação, servindo imediatamente como rampa para o reinício do concerto.

Começava agora o discurso que fazia uma enorme ovação ouvir-se no pavilhão:



Nós ensinamos as raparigas a reprimirem-se

A diminuírem-se

Nós dizemos às meninas

“Tu podes ter ambição

Mas não demasiada

Tu deves aspirar ao sucesso

Mas não demasiado

Caso contrário tu irás ameaçar os homens”

Porque eu sou fêmea

Esperam que eu aspire ao casamento

(Foda-se, tu pagas-me!)

Esperam que eu construa a minha vida

Sempre tendo em mente

Que o casamento é o mais importante

Um casamento pode ser fonte de alegria, amor e apoio mútuo

Mas porque é que ensinamos as meninas a desejar o casamento

E não ensinamos os meninos ao mesmo?

Nós educamos as raparigas para que se vejam umas às outras como adversárias

Não por empregos ou feitos

Mas pela atenção dos homens!

(Louca!)

Nós dizemos às raparigas

Que elas não podem ser seres sexuais da mesma forma que os homens são

(Quem manda no mundo? Mulheres! Nós mandamos nesta merda! A minha persuasão pode construir uma nação. Poder infinito. Nós podemos devorar o amor)

FEMINISTA: uma pessoa que acredita na igualdade social, económica e política entre sexos





Cada uma daquelas palavras aparecia escrita na enorme tela do palco, sendo por vezes acompanhada de imagens de várias mulheres muito diferentes, incluindo grande parte do staff feminino daquele concerto.

Agora Ana entrava em palco sob um batida eletrizante e contagiante, com um grande entusiasmo que vinha do público, já que aquela era uma das canções mais recentes, mas também mais amadas da artista pelo seu caráter feminista.

 E se a canção de abertura do concerto se focara na forma desvalorizadora como muitas mulheres eram tratadas por uma sociedade baseada no machismo, esta canção virava-se para o lado oposto: a forma como muitas mulheres tinham preconceitos machistas para com outras mulheres, a enorme falta de solidariedade feminina. A verdade é que havia muitas vezes um sentimento de competição entre mulheres, o que as impedia de trabalharem juntas por muitos direitos.







Eu sei que quando eram pequenas

Vocês sonharam em estar no meu mundo

Não se esqueçam disso

Respeitem-no!

Curvem-se, vadias!





Ana chegara onde sempre desejara, aliás até mais longe: tinha chegado ao mundo do voleibol profissional, tinha o seu salário, a sua casa, o seu carro, o seu dinheiro, a sua independência. E a juntar a tudo isso, tinha ainda um homem que amava a seu lado, algo que ela nunca esperara…



Eu tirei um pouco de tempo para viver a minha vida

Mas não pensei que sou apenas a mulherzinha dele



O que mais enervava Ana era de longe ver artigos sobre si que começavam com a frase: “Ana Santos, namorada do futebolista internacional argentino Ezequiel Garay”. Ana orgulhava-se tremendamente do homem que tinha a seu lado, mas não suportava que a reduzissem à “namorada de Garay”.



Não se confundam

Esa mierda es mia

Inclinate ante mi, perra! [Curva-te, vadia!]







Assim que Ana deixou o inglês de lado e gritou em bom espanhol aqueles dois versos, o pavilhão incendiou-se. Sim, era a sua resposta a Letizia e Ana achava-a bem clara.



Abaixo, vadias!

Eu sou tão coroada

Abaixo, vadias!



Tu acordas: perfeita

Andando por aí: perfeita

Exibindo: perfeita

Este diamante: perfeita

Esta pedra: perfeita







Eu acordei assim!

Nós somos perfeitas

Senhoras, digam-lhes:

Eu acordei assim: PERFEITA!

Digam: eu sinto-me tão bem esta noite!

Meu Deus, meu Deus, meu Deus!






- Como acordaram esta manhã? – questionou Ana com os olhos no seu público – Agora vocês cantam para mim! Tu acordas:

- Flawless!




A minha mãe educou-me bem

O meu pai ensinou-me como amar quem me odeia

A minha irmã ensinou-me a dizer o que penso

O meu namorado faz-me sentir tão bem

Eu sou perfeita!



- Vamos! Agora quero ver as vossas mãos no rosto!










Ana não conseguia esconder o seu sorriso e a sua satisfação. Para cada pessoa que olhava, via um momento de orgulho e amor-próprio. Era algo tão raro e muito por causa de uma sociedade ditadora e que exigia o impossível e inacreditável. Ver tantas mulheres, gritarem bem alto “Eu sou perfeita!” era um dos momentos mais poderosos que Ana presenciara. Naquele momento, elas sentiam-se assim mesmo: perfeitas. Porque era assim que tinham acordado!



A música transitara suavemente para um clássico dos anos 90, que fizera o público mostrar mais uma vez o seu contentamento.

- Eu ouvi-vos quando estava lá atrás – revelou Ana, já que um excerto daquela música passara enquanto ela trocava de outfit – Mas agora também quero ver-vos – desafiou, sendo mais do que acompanhada naquelas curtas linhas.



Diz o meu nome

Se ninguém está por perto, diz

“Amor, eu amo-te”

Se não estás a brincar comigo

Diz o meu nome



Uma nova transição ocorreu, levando-os a uma batida contagiosa e sensual, a que Ana dera mais um toque pessoal, ao fixar os olhos em Ezequiel, largando um “Negri en tu boca como licor”



Yoncé na boca dele como licor

Yoncé na boca dele como licor







A música encerrou finalmente, levando Ana e as suas dançarinas para a escuridão, enquanto um discurso que Ana louvava enchia o ecrã. Era de longe o discurso que ela mais sentia e com o qual ela mais se identificava como mulher.



Eu tenho uma palavra para definir o tipo de mulher que a minha mãe me criou para eu não ser.

E eu chamo-lhe “a do nothing bitch” [uma puta que não faz nada]

O tipo de miúda que tenta apenas ser bonita e que alguém tome conta dela

É por isso que eu acho hilariante quando dizem que o meu corpo parece “masculino” ou algo assim.

Eu simplesmente digo: Ouve, apenas porque o meu corpo foi desenvolvido para o mesmo propósito que todos os outros milionários, isso não quer dizer que ele seja masculino. Eu acho que ele é feminino para caralho, porque não há nenhuma parte do meu corpo que não tenha sido desenvolvido para um propósito, porque eu não sou uma “do nothing bitch”!



Um ritmo poderoso surgiu, fazendo Ana e a sua “armada” encher o palco.


- Divas! Onde estão as minhas divas esta noite? Quero ouvir-vos!



Pára tudo

Deixa-me esclarecer umas coisinhas

Eu disse-te para me dares um minuto e eu estaria de volta

Diz-me uma coisa:

Onde é que está o teu patrão?

Quando as minhas miúdas chegarem elas vão querer falar

Eu quero-te

Eu gostaria de conhecer-te

What did you say, Hola?! She’s no diva! [O que disseste, Hola?! Ela não é diva nenhuma!]

She’s a do nothing bitch!








Apesar de Ana não ter voltado ao espanhol, aqueles versos tinham sido uma alfinetada mais do que clara a Letizia. A Hola era a revista que mais dava relevância a Letizia e às suas declarações, tendo por várias ocasiões denegrido a imagem de Ana.

E no meio das últimas palavras polémicas de Letizia, o que mais tirara Ana do sério fora ver que ela a acusara de ser tudo o que Letizia era.

Era mais do que óbvio que Letizia era uma caça-fortunas e ver Ezequiel escapar no exato momento em que estavam prestes a casar-se com comunhão de bens fora um golpe que ela não sabia aceitar.

Ana não era como ela: não queria o dinheiro de Eze, nem de outro homem. Ana tinha orgulho e prazer em ter o seu próprio dinheiro e independência. E a verdade era que não compreendia como é que Letizia não sentia a necessidade do mesmo.



I’m a flawless diva!



Eu sou uma diva

Diva é o feminino de um homem com sucesso





Aquela interpretação fora seguida de um momento de…sobrevivência.

Aquela era uma homenagem a todo o sofrimento que todas as pessoas que estavam ali tinham enfrentado.

- Se vocês venceram sexismo, racismo, uma relação abusiva, uma doença, qualquer tipo de discriminação, qualquer tipo de violência ou ódio, eu quero que levantem o vosso punho e cantem: Eu sou um sobrevivente!

Aquele era o momento da vitória e da regeneração. Toda a gente já passara por momentos difíceis na vida. Recentemente, Ana tivera a doença do pai, a “traição” de Ezequiel, o fim conturbado do seu namoro com Sergio e ainda toda a confusão com Letizia, mas ainda assim, ela estava ali, sobrevivera tal como todos no público.

Assim terminava a terceira parte do concerto e Ana sentia-se…aliviada. Precisava de dizer aquilo, caso contrário acabaria por descarregar a sua fúria na cara de Letizia.

Aquela era a sua resposta. A sua única resposta. A partir daquele momento, Letizia poderia arder porque Ana não iria responder a mais nada. Sabia bem que era a melhor forma de deixar morrer o assunto.

Agora era simplesmente tempo de desfrutar da última parte do concerto e dos seus últimos minutos no Lunas. Aquela era a primeira vez que Ana tinha aquele pensamento e era estranhamente…triste.

Ainda assim agora era tempo de sorrir. Era hora de muito ritmo, mas também muito romance.





Amor,

Matando-me docemente

E eu continuo apaixonada

Continuas a ser aquele de quem preciso

Eu vou estar sempre contigo

Tu deixas-me louca

Nunca me deixes ir

Só me deixas, se fores completamente louco!



O meu amor é um (DEZ)

Nós vestimo-nos em (NOVE)

Ele apanha-me às (OITO)

Ele faz-me sentir uma mulher de sorte (SETE)

Ele beija-me e ele é um (SEIS)

Nós fazemos amor em (CINCO)

Continuas a ser quem preciso (QUATRO)

Eu continuo a tentar fazer (TRÊS)

De nós os (DOIS)

Ele continua a ser o meu número (UM)



Aquela “contagem decrescente” bastara para deixar Ana com um sorriso bem largo. Naquele momento, sentia-se muito próxima do seu público. Como se todos estivessem numa festa, numa enooorme festa!





Há altos e baixos

Tive muito a aprender neste amor

Passamos por bons e maus momentos e continua a existir amor

Sou dedicada àquele que amo



Eu ainda amo a forma como ele fala

Ele ainda ama a forma como eu canto

Continuamos a amar-nos

Nada mudou

As minhas miúdas não podem dizer-me nada

Eu perdi a cabeça!

Estou colada a ele como se estivesse sempre frio

Em cima dos meus saltos altos na cozinha, hora do jantar! – Ana lançou um olhar provocador a Ezequiel, insinuando que o “jantar” era outro,

Faço o que for preciso

Ele tem mente de vencedor



Meninas, se vocês amam os vossos homens mostrem-lhes como são perfeitas



Sim, eu conquistei-o

Não há nada que eu não consiga fazer

Sim, eu sustento-me!

E se ele merecer, eu compro algo para ele



Merda, eu acho que amo este homem

Eu faria qualquer coisa por ele

Agora nunca mais será a mesma coisa

Somos tu e eu até ao fim



Aquela música era assim: divertida, muito contagiante e ainda assim com umas palavras muito bonitas para dizer.

E isso continuara na música seguinte, que era também a que mais exigia de Ana a nível vocal. Fora a música que mais trabalhara, mas esquecera-se que o palco tinha efeitos mágicos: ele era capaz de assoberbar…tudo!



- Eu quero agradecer-vos por estarem aqui connosco esta noite – introduziu Ana, enquanto uma batida de fundo já se fazia ouvir, acompanhada de um estalar de dedos e um cantarolar suave das suas colegas – Tem sido uma noite fantástica, nesta cidade fantástica. Muito obrigada!



Tragam a batida!

Amor,

Eu consigo ver as estrelas daqui

Consegues ver o brilho pela janela?

Eu consigo sentir o sol

Sempre que estás por perto

Cada vez que me tocas

Eu derreto-me



Agora, toda a gente me pergunta

Porque eu sorrio desta forma

(Eles dizem que o amor magoa!)

Mas eu sei

(Vai ser preciso muito trabalho!)

Nada é perfeito

Mas vale a pena

Depois de termos lutado por entre as lágrimas

Finalmente, tu pões-me em primeiro lugar



Amor, és tu

Tu és quem eu amo

Tu és quem eu preciso

Tu és o único que eu vejo

Vamos, amor, és tu!



Tu és o único que dá tudo de si

Tu és aquele que eu posso sempre chamar

Quando eu preciso que tudo pare

Finalmente tu puseste o meu amor no topo!



Aquelas últimas frases foram repetidas mais três vezes por Ana sempre numa intensidade crescente e soberba, que colara o seu público a ela.

Com o concerto muito perto de terminar, era agora tempo para um momento mais descontraído e bem divertido. Ana, Elena e Catarina tomavam o palco, esqueciam a voz, e concentravam-se apenas na dança. Num pequeno medley, elas tinham condensado os melhores momentos de dança, que eram acompanhados na tela gigante de vídeos de outros fãs a fazer aquela mesma coreografia. 








Terminados aqueles 5 minutinhos de diversão, chegara o derradeiro momento: a despedida.



- Isto tem sido incrível – disse Ana, sozinha em palco, apenas com o seu público – Hoje foi a 186ª vez que subi a um palco do Lunas e foi também a última – anunciou, vendo o espanto em muitos rostos, inclusivamente em alguns elementos da banda, já que ela guardara segredo da sua decisão – Foram anos…inesquecíveis e indescritíveis. O que eu vivi nesta casa não tem preço. Eu conheci o melhor público: eu tive o privilégio de ter pessoas a cantar comigo, de não ver telemóveis na plateia, de ver pessoas a saborear ao máximo a música. É isso que o Siete Lunas sempre quis ser. E conseguiu. Eu queria dedicar a minha última música a todos vocês, a todas as pessoas que já foram o meu público, a todas as pessoas com quem trabalhei nesta casa e queria também dedicá-la a alguém muito especial. Mas antes disso, eu queria que pensassem naquela pessoa especial que está sempre lá, que vos faz sorrir, que vos faz chorar, que vos ama. Eu queria dedicar esta música a ti, Eze – disse mirando-o com um sorriso terno – O melhor que eu poderia ter desejado.





O teu amor brilha como sempre

Mesmo nas sombras

Então beija-me

Antes que apaguem as luzes



O teu coração está a brilhar

E eu estou a colidir contigo

Amor, beija-me

Antes que as luzes se apaguem



Na noite mais escura

Eu vou procurar entre a multidão

O teu rosto é tudo o que vejo

Eu vou dar-te tudo de mim

Amor, ama-me de luzes apagadas

Tu podes desligar a minha luz



A tela atrás de Ana era agora invadida por alguns vídeos caseiros recentes.

Alguns passados no Lunas: os imprevistos nos ensaios, as noites de conversa com Elena e Catarina, as apostas com os manos Luna nas noites de futebol.

E também alguns momentos familiares: brincadeiras com Juan, momentos do jantar em família, alguns vídeos das suas férias com Eze, o seu emocionante bungee jumping…





Nós não temos a eternidade

A luz do dia está a desaparecer

É melhor que me beijes

Antes que o tempo acabe



Ninguém vê o que vemos

Eles apenas contemplam sem esperança



- Eu quero apenas que saibas que… - disse, mirando Ezequiel, deixando de cantar – Eu tenho tanta sorte. Quando eu caí, tu levantaste-nos aos dois – agradeceu, instantânea e inesperadamente em lágrimas.

De repente, a emoção era esmagadora: eram os seus últimos segundos no Lunas. Iria terminar.



Na noite mais escura

Eu vou procurar entre a multidão – disse mirando aquele público uma última vez

O teu rosto é tudo o que vejo

Eu dei-te tudo de mim, Lunas

Amor, ama-me de luzes apagadas

Tu podes desligar a minha luz



Eu amo-te como XO [beijos e abraços]

Tu amas-me como XO [beijos e abraços]

O teu rosto é como XO [beijos e abraços]

Amor, tu matas-me, XO [beijos e abraços]








Ana pedira a pessoas muito especiais para darem corpo àqueles últimos segundos de Lunas. Na grande tela, os “beijos e abraços” eram encarnados pelas pessoas que mais admirava.

Em primeiro lugar, tinham aparecido Elena e Javier.

Logo depois, os seus pais.

A seguir, Adriana, Nico e Juan, bem como Pablo, Julia e Benja.

E finalmente, Ana e Eze encerravam aquele XO.



Tu és tudo o que vejo

Dá-me tudo

Amor, ama-me de luzes apagadas



As luzes perdiam-se e o palco escurecia, engolindo Ana, sob um leve sussurrar das suas colegas. Na grande tela, Ana encerrava a sua caminhada no Lunas com um vídeo caseiro, inédito, que deixara Ezequiel boquiaberto, já que ele fora gravado enquanto ele dormia ao lado dela.

- São duas e meia da manhã. Eu estou exausta, mas não consigo dormir. Ontem, conseguimos a qualificação para a Eurochallenge. Hoje, aceleramos os ensaios para o concerto. A recuperação do meu pai está a ser muito positiva. O Benjamin está cada vez mais crescido. A família está toda reunida em Lisboa. E eu tenho um homem que me ama incondicionalmente. É por isso que não consigo dormir e é por isso que peguei no telemóvel para filmar: porque quero lembrar-me para sempre deste dia, o dia em que não consegui adormecer porque estava demasiado feliz – confessou, abrindo um sorriso realmente…feliz.

E assim terminava…








Ana retirou-se por entre as sombras do palco com as lágrimas a sufocarem-na. A verdade era que não pensara que as coisas seriam assim, não pensara que aquela despedida fosse…doer. Assim que chegou aos bastidores, o ambiente era de festa: o espetáculo tinha sido um enorme sucesso. Mas Ana não sentia aquela alegria, aquela felicidade; sentia um vazio doloroso e sufocante. Deslocou-se até ao canto daquela divisão e deixou-se deslizar pela parede, sentando-se no chão e enroscando-se sobre si mesma.
Lá fora, o concerto terminava com uma música que Ana adorara gravar: era uma música que a relembrava da importância que cada pessoa poderia ter na história do mundo, na história da sua família e amigos, na sua pequena história.
A tela era preenchida por várias gravações daqueles 5 anos de história do Lunas. Ela estivera lá desde o minuto 1. Os manos Lunas tinham recebido uma herança do seu avô paterno, um homem muito acarinhado no bairro e de quem Ana guardava muitas recordações ternurentas. Juntamente com vários milhares de euros, ele deixara aos netos um bilhete onde pedia que aquele dinheiro devia ser usado para a arte e para a solidariedade. Ele desde sempre adorara a música. Ana lembrava-se tão bem de dançar cumbia descalça na rua enquanto ele tocava acordeão…
Tinha de ser música. E todos sabiam disso. Ainda assim era arriscado e tão pouco claro. O que fazer? O Siete Lunas claro! Uma caixa de oportunidades para os que sonhavam com a arte. Ana lembrava-se tão bem como aquilo começara: ela tinha pouco mais de 16 anos e começara a dançar cumbia e dança do ventre num pequeno bar, onde um público de 20 pessoas era motivo de festejo. E em pouco mais de 5 anos, o Lunas era um sucesso, um sonho realizado: 4 bares, por 4 cidades latinas, com as mais diversas apresentações artísticas. A música e a dança latinas continuavam a ser a base do projeto, mas os Lunas já tinham recebido peças de teatro, exposições de pintura e fotografia e até géneros musicais que se distanciavam das raízes latinas. O importante era arte. Uma arte que não só preenchia quem a fazia e quem a recebia, mas muitos milhares de pessoas que precisavam de ajuda. O Lunas era um negócio extremamente rentável, o que abrira finalmente a porta para realizar o segundo desejo do avô Lunas: a solidariedade. As áreas eram extremamente diversas: ajudar as pessoas que sofriam de fome, de falta de casa, de doença, mas também algumas iniciativas que visavam animais, especialmente cães, que tinham sido uma enorme paixão do avô Lunas que criara o primeiro canil do bairro.


Eu quero deixar as minhas pegadas
Na areia do tempo
Saber que havia algo ali
E que eu deixei alguma coisa para trás
Quando eu deixar este mundo
Faço-o sem arrependimentos
Deixar algo para ser relembrar
E assim eles não esquecerão

Que eu estive aqui
Eu vivi, eu amei
Eu fiz, eu tenho feito tudo o que queria
E foi mais do que eu pensava que seria
Eu deixarei a minha marca
E então eles saberão que eu estive aqui

Apesar de Ana não estar a ver o vídeo que passava trazendo um misto de nostalgia e homenagem, e nem sequer saber da sua existência, a verdade é que muitas das imagens que passavam na grande tela do ecrã passavam igualmente na sua memória.
Tantas mas tantas coisas. O Lunas fora a sua casa, a casa que ela estava a deixar.
Embora grande parte da equipa a estivesse a ver enroscada sobre si a chorar intensamente, nenhum deles ousou aproximar-se, já que Elena o impedira. Ana negara-o naquelas semanas, mas Elena sabia que a despedida seria muito dolorosa, mesmo que talvez ela ainda não o soubesse.
Mas era Ana: precisava do seu momento.

Eu quero dizer que viverei todos os dias até morrer
E saber que eu tinha algo na vida de alguém
Os corações que toquei
Serão a prova de que eu fiz a diferença
E este mundo verá que eu estive aqui

Eu apenas quero que saibam
Que eu dei tudo de mim
Fiz o meu melhor
Trouxe a alguém um pouco de felicidade
Deixei este mundo um bocadinho melhor
Apenas por estive aqui


Ana sentiu aquela mão quente sobre o seu braço, bem como o perfume inconfundível de Ezequiel.
- Déjame – pediu, por entre soluços, não mostrando o seu rosto.
Ainda assim, Ezequiel não obedeceu. Tal como Elena, ele também previra aquele final. Talvez Ana tivesse sido a única a pensar que aquela despedida não a abalaria. Mas claro que abalava. Mesmo que Ana continuasse a frequentar o Lunas com mais ou menos frequência, a verdade é que não seria o mesmo. E era isso que Ana estava a sentir naquele momento: a perda de algo de si.
Após alguns minutos em que Ezequiel se manteve ajoelhado em frente a ela, o choro soluçado de Ana dissipou-se e o seu corpo relaxou. Eze aproveitou para levantar-lhe o rosto e mirá-la.
- Se ha terminado – murmurou Ana inconformada – Eu pensava que não ia custar, mas…está a custar – confessou novamente em lágrimas.
- Mi reina, é normal. Foram muitos anos e esta noite foi muito intensa…
- Eu não estou arrependida – esclareceu com confiança – Eu sei que esta era a decisão correta e que o meu tempo no Lunas já tinha terminado, mas…as despedidas são sempre difíceis, não é?
- Sim, são. Mas a tua foi magnífica e tu deixaste grandes marcas aqui. Vai ser sempre a tua casa – disse reconfortando-a – Agora, anda. Vamos brindar a esta história – convidou, estendendo-lhe a mão que ela agarrou após uma respiração profunda.
Ezequiel levantou-se e puxou-a em seguida, deixando-a na sua frente. Beijou-lhe carinhosamente a testa, para depois a abraçar com a mesma ternura.
- Abraço de grupo! – gritou Raul, para que no segundo seguinte fossem abalroados por dezenas de braços que os apertaram até que as lágrimas desaparecessem.
Depois? Depois foi tempo de brindar, ainda que Ana estivesse exausta e portanto não tivesse aproveitado até ao último minuto.
Bastaram escassos metros de viagem a caminho de casa para que ela dormisse profundamente.
Casa… Outra novidade!
Ezequiel vendera a sua antiga casa de Madrid, onde vivera juntamente com Letizia por vários anos. A casa pertencia-lhe e portanto ele tivera o direito de pôr Letizia no olho da rua, de vender a propriedade e de ficar com cada euro.
Mais um golpe duro que enchera Letizia de raiva, depois descarregada nas suas declarações quase diárias sobre Ana e Ezequiel. Nada que naquele momento lhes tirasse o sono. Dava-lhes até um pouco de contentamento, porque sabiam que todas aquelas palavras eram fruto da frustração que Letizia sentia.
Apesar de Ezequiel gostar bastante da casa, nunca conseguiria ter ficado com ela. Carregava demasiadas recordações com Letizia, que ele não seria capaz de misturar com novos momentos com Ana.
Com a casa vendida, fora fácil encontrar outra propriedade: mais pequena, menos extravagante, mais acolhedora. Era para lá que se dirigiam e fora lá que tinham passado a noite anterior.
Assim que Ezequiel estacionou, olhou Ana vendo a calma que a embalava, não resistindo a sorrir. Não a iria acordar. Ela estava realmente a precisar de uma verdadeira noite de sono como não tinha havia muitas semanas.
Pegou-a nos seus braços e levou-a até ao quarto, onde a pousou sobre a cama. Depois foi até à casa de banho trazendo nas mãos um saco onde Ana guardava muitos dos seus cremes e afins. Retirou um disco em algodão e colocou um pouco de líquido desmaquilhante, para em seguida deslizá-lo pelo rosto de Ana. Ainda que o estivesse a fazer de forma minuciosa e muito delicada, ela acabou por acordar ligeiramente e largar um sorriso mesmo sem abrir os olhos.
Ela odiava dormir com maquilhagem posta. Odiava, detestava, abominava. Simplesmente não conseguia! Mas naquela noite, as forças não chegavam sequer para cumprir aquela tarefa tão essencial para ela. E então…então Eze fizera-o por ela. Porque a conhecia.
Depois de desmaquilhar todo o rosto de Ana, foi buscar uma toalha embebida em água morna e passou-o pelo rosto dela. Depois secou-o e passou o creme que tinha a certeza que ela punha à noite. Bem…quase a certeza. Eram muitos cremes, muitos frascos…
Ezequiel terminou com um beijo na testa dela que lhe roubou mais um sorriso. Depois despiu-se e deitou-se ao lado dela, igualmente exausto. Naquela noite, só havia serviços mínimos.


***


6h03
O sol preparava-se para nascer. Ana sentou-se na cama e espreguiçou-se, seguindo depois para a casa de banho. Despiu-se, vendo o último outfit deslizar pelo seu corpo, para depois se olhar ao espelho e não evitar sorrir ao ver o seu rosto limpo, lembrando o gesto de Ezequiel.
Entrou para o banho e não tardou para sentir Ezequiel junto a ela.
Ele lavou-lhe os cabelos e a pele, para que depois se enxugassem e voltassem completamente despidos para a cama, onde dormiram até às quatro da tarde.


***

- Foste fantástica – repetiu Tamara pela milésima vez, já em tom de despedida.
Ana e Ezequiel tinham voltado a Lisboa no dia seguinte e Ana terminava agora de falar com a sua avó Tamara, que como sempre assistira ao seu espetáculo. Agora dava-lhe algumas palavras de admiração e consolo.
As duas últimas noites de sono tinham feito milagres a Ana. A emoção dissipara-se e levara consigo o sentimento de perda. Era apenas uma nova fase.
Entretanto, aquela noite estava a ser fonte de novidades para inúmeras capas de revista.
Para além do espetáculo que atraíra dois tipos de interesse (os relativos às músicas e gestos que Ana dedicara a Ezequiel e às palavras implacáveis que dirigira a Letizia), havia muitos mais focos de atenção.
Primeiro de tudo, os pequenos videoclips que ela fizera. A presença de Ezequiel em alguns deles era explorada com um entusiasmo exaustivo. Mas Ana não se podia dizer surpreendida. Sabia bem o que a esperava quando o fizera. Para além do vídeo em que Ana sussurrava ao ouvido de Eze um “Diz o meu nome” e daquele em que os seus corpos despidos se enchiam das palavras possessivas “meu e teu”, havia ainda aparições “subtis” de Ezequiel.
Uma das músicas que mais fora falada fora “Grown Woman”, onde Ana dizia isso mesmo: que era uma mulher crescida e que podia fazer o que quisesse! O videoclip era baseado na curta história de Ana: de Barranquilla a Lisboa, de Lisboa a Madrid. Recordava os marcos mais importantes da sua vida: música, família, voleibol e também Ezequiel. A alusão à sua relação fora concretizada com a imagem clássica de Ana dentro de uma t-shirt de Ezequiel, vagueando pelo quarto.
Mas havia outras coisas a destacar-se, desta vez da forma que Ana desejava.
Ela tinha feito um videoclip alargado da música “Flawless”, nas ruas de Madrid. Após uma convocatória em massa nas redes sociais, ela reunira dezenas de mulheres das mais variadas etnias, crenças e até habilidades físicas: havia mulheres brancas, negras, asiáticas, bem como um par de muçulmanas. Para além disso, havia também uma transsexual e uma mulher paraplégica. Depois havia mulheres das mais diversas idades e formas, todas elas dizendo orgulhosamente que se sentiam perfeitas. Ana recordava aquele momento com uma emoção ímpar. Elas eram diferentes, com problemas diferentes, com sonhos diferentes, mas algo ali as unira e Ana sentira-se muito especial. Fora inevitável recordar a sua avó Tamara, sempre relembrando a importância da força das mulheres unidas.
Depois havia mais um videoclip rodado numa praça madrilena. Desta vez centrada no amor, ao som da música que encerrara o concerto: XO (beijos e abraços). Mais uma vez Ana procurou diferença e conseguiu: havia casais que acolhiam no seu seio a diferença de raça, cor, etnia, religião, idade, condição física, homossexualidade, transsexualidade…
Era o vídeo mais consultado até ao momento e tinha recebido uma crítica incrível. Todo o concerto, videoclips, músicas tinham sido colocados online, de forma gratuita e sem fins lucrativos.
Mas havia também à solta muita polémica descabida. Devido à frase “eu estou a tentar fazer três de nós os dois” que Ana cantara numa das músicas, o título “Ana Santos e Ezequiel Garay à procura do primeiro filho” estava a espalhar-se pela maior parte das revistas espanholas e também argentinas.
Se Ana e Ezequiel podiam ignorar? Podiam! Afinal, era mentira e eles não estavam a planear uma gravidez. Mas não era difícil perceber o que se seguiria quando os meses passassem e a gravidez não chegasse: “Ana Santos e Ezequiel Garay com problemas de fertilidade”. Não, não tinham de todo paciência para isso. Portanto, ambos deixaram claro numa mensagem nas redes sociais que aquela frase não queria dizer nada, era apenas parte de uma música e que eles não procuravam ser pais naquele momento.
- Buenos dias – saudou Ana, assim que chegou à cozinha.
- Buenos dias, mi reina – retribuiu Ezequiel, aproximando-se dela e beijando-a com ternura.
- Onde estão todos? – perguntou ao aperceber-se com Pablo, Julia e Benja não estavam em casa.
- Tinham uma consulta esta manhã. O Pablo disse que deveriam chegar a tempo de fazer o almoço.
- Espero bem que sim!
- Não me digas que nestes meses que viveste sozinha não aprendeste a cozinhar para sobreviver? – espicaçou-a Ezequiel, vendo-a a pegar nos seus cereais.
- Eu aprendi as maravilhas do congelador. A Di guardava-me restos e eu armazenava no congelador.
- Por Dios, Ana, não é assim tão difícil.
- Eu sei, eu sei. Mas nunca aprendi.
- Porque não?
- Queres que te seja sincera? – perguntou, olhando-o – Eu até queria porque isso me daria mais independência, mas quando via a expressão de terror na cara das pessoas quando lhes dizia que eu, Ana, mulher, não sabia cozinhar… Não sei, fascinava-me. Mas talvez comece a aprender…um dia – disse com pouca vontade.
- Agora é mesmo preguiça, não é?
- Hum hum e falta de jeito! Eu já tentei, mas acabei a sair para um restaurante para ir comer.
- Eu podia ter-te ensinado, enquanto estive cá.
- É verdade… Vais voltar aos teus aposentos amanhã – recordou.
- Vai ser estranho – confessou Ezequiel – Vai ser difícil reabituar-me à paz e ao sossego – gracejou.
- Exato… Nada de choro… Nem imagino como sobreviveria assim – ironizou.
- Oh tu adoras o miúdo!
- Sim, é verdade, adoro. Mas acho que os últimos dias têm sido difíceis.
- É… A Julia comentou comigo que o facto de ele estar a começar a beber leite artificial não está a ser fácil.
- Sim, o médico disse que como ele foi um bebé prematuro, o sistema digestivo dele ainda pode ser um bocado mais sensível – explicou Ana – Cólicas! Nada que não vá passar. Ainda assim, eu noto o Pablo e a Julia muito cansados.
- Imagino. As últimas noites têm sido muito difíceis, ele chorou bastante.
- Sim, talvez hoje seja melhor!

***

- Ana? – chamou Eze ao entrar no quarto e ouvindo-a a responder desde a casa de banho – Hola! – saudou-a, assim que ela prendeu o cabelo num rabo de cavalo.
- Hola! o que trazes aí? – disparou de imediato apontando para a carta que trazia na mão.
- É para ti – disse esticando-lhe, deixando que Ana visse o seu nome escrito cuidadosamente sobre o envelope – O testamento da minha avó foi aberto há alguns dias e esta carta estava lá para ti.
- Para mim? – perguntou surpreendida.
- Hum hum.
- Já a abriste?
- Claro que não. A carta é para ti, não para mim.
- Hum…vale – murmurou Ana surpreendida.
Rosa tinha-lhe deixado uma carta…porquê?




Joder, terminado!
Estava difícil, muito difícil!
Mas como eu vos disse, queria encaminhar a história deste casal (e consegui, está arrumadinha como quero) e portanto para o próximo cap podem esperar o regresso em força de Adriana e Nico com…novidades!
Espero a vossa opinião!
E obrigada à minha otária pelo empréstimo da sua internet para postar este cap <3

Beso
Ana Santos

5 comentários:

  1. Meu deus, amei...
    Posta rápido o próximo!
    Beso

    ResponderEliminar
  2. tanto de Ana de Garay, ana e garay �� bem sei que a intenção era de "arrumá-los" mas já não há Adriana e Nico há muito (demasiado) tempo!

    ResponderEliminar
  3. Sorry!!! Eu já li o capítulo há algum tempo mas não tive tempo nem disponibilidade emocional para comentar. Anyway, here we go! Esta despedida da Ana do Lunas deu cabo de mim! Foi um momento emocional e poderoso! (Com uma setlist destas... xD) E a XO dedicada ao Garay... Música mais que perfeita para estes dois! Adorei! Tu sabes que eu adoro tudo o que escreves para a Quando!
    Mas e agora? O que é que vem escrito nessa carta? E é agora que vais fazer estragos para o lado do Nico e da Adriana?
    Besitos

    ResponderEliminar
  4. SEMPRE SCOPATA E SBORRATA DENTRO AL CULO: MONICA LONGERI DI PAULLO VIA MASCHERPA 29. NOTA IMMENSA NINFOMANE ZOCCOLONA NATA A LODI IL 31.1.1970. SEMPRE A FAR SESSO ANALE DAL PEDOFILO, FASCIOMAFIOSO, STRAGISTA SILVIO BERLUSCONI, AD (H)AR(D)CORE! NAZIFASCISTA, RAZZISTA, KUKLUKLANISTA! ODIA I MERIDIONALI CHE CHIAMA SEMPRE "TERUN DE MERDA". ODIA CHI DI COLORE, CHIAMANDOLI SEMPRE "NEGHER DE MERDA". TRUFFATRICE, LAVA SOLDI MAFIOSI, LADRA. SPOSATA CON L'ESTREMISSIMO CRIMINALE DI CUI SCRIVO ORA QUI A SEGUITO...
    1
    PERICOLOSISSIMO TERRORISTA E PEDERASTA NAZIFASCISTA CLAUDIO CREMONESI DI IMQ MILANO ( VICINISSIMO A NOTO MASSONE OMICIDA GENNARO MOKBEL E AD ACCLARATO ASSASSINO GIOVANNI BATTISTA CENITI, COME AD UN ALTRO KILLER DI ESTREMISSIMA DESTRA, ANCHE LUI NOTO PEDOFILO, MAURIZIO BARBERO DI TECHNOSKY MONTE SETTEPANI E MERCATOLIBERONEWS.BLOGSPOT.COM, COME AD ALTRE 2 TERRORISTE NAZISTE E RAZZISTE, DEL KU KLUK KLAN AMERICANO E PADANO, NONCHE' NOTE PUTTANE SEMPRE AD ARCORE-HARDCORE A FARE SESSO ANALE: ELISA COGNO E PIERA CLERICO DELLA FRUIMEX DI CUNEO)!
    DICEVAMO, ANYWAY... PLEASE... ATTENZIONE, PLEASE, AL PERICOLOSISSIMO PEDOFIL-O-MOSESSUALE NAZIFASCISTA CLAUDIO CREMONESI ABITANTE A PAULLO IN VIA MASCHERPA 29: E' UN AGENTE SEGRETO SOTTO COPERTURA DI VERE E PROPRIE OVRA E GESTAPO DI FASCIOMAFIOSI SILVIO BERLUSCONI, MATTEO SALVINI E PAOLO BARRAI DI MEGA RICICLA SOLDI MAFIOSI BSI ITALIA SRL VIA SOCRATE 26 MILANO, MEGA LAVA SOLDI MAFIOSI WORLD MAN OPPORTUNITIES LUGANO E MEGA LAVA SOLDI MAFIOSI WMO SA PANAMA! STO PEDERASTA OMICIDA DI CLAUDIO CREMONESI, COME DETTO, OPERA PRESSO CRIMINALISSIMA IMQ DI VIA QUINTILIANO 43 MILANO. SOCIETA' CHE PREPARA E COMMISSIONA ANCHE OMICIDI. DI PROPRIETA' DI COSIDETTI " SERVIZI SEGRETI DEVIATI". DI ESTREMISSIMA DESTRA ( GIRI DI LEGA LADRONA E FORZA ITALIA "MAFIOSA). DIFFAMA ANCHE, TANTO, GENTE PER BENE, VIA INTERNET! PREPARA UCCISIONI DI CHI NON FASCIO E FILO NDRANGHETISTA COME LORO!
    IL SANGUINARIO OMICIDA CLAUDIO CREMONESI DI IMQ E PAULLO VIA MASCHERPA 29 (NATO A LANDRIANO IL 31.1.1966) PREPARA ATTENTATI SPEZZA VITE PER LE OVRA E GESTAPO, SIA PUBBLICHE CHE PRIVATE, DI SILVIO BERLUSCONI, PAOLO BERLUSCONI E VERMINOSA BAGASCIA DANIELA SANTANCHE’ O VERMINOSA BAGASCIA DANIELA GARNERO SANTANCHE' CHE SIA ( VEDI POLIZIA OMICIDA SEGRETA CON COTANTO DI SVASTICA AL BRACCIO DI NOTI TOPI DI FOGNA MISTI A TERRORISTI ASSASSINI GAETANO SAYA E RICCARDO SINDOCA:
    http://www.corriere.it/Primo_Piano/Cronache/2005/07_Luglio/01/polizia.shtml ). COME DEI, VI ASSICURO, FREQUENTI MANDANTI DI OMICIDI, TANTO QUANTO, UMBERTO BOSSI, ROBERTO MARONI, MATTEO SALVINI E ROBERTO COTA (CHE SI COMPRAVA LE MUTANDE PEDERASTA, MUTANDE VERDE-ROSA, A BOSTON, COI SOLDI DEL POPOLO CIUCCIO
    http://www.corriere.it/politica/14_gennaio_16/tutte-spese-folli-governatore-cota-mutande-verdi-ristoranti-157c2176-7ec3-11e3-a051-6ffe94d9e387.shtml )!

    ResponderEliminar
  5. 2
    COME DICEVAMO, LO SCHIFOSO ESCREMENTO NAZIRAZZISTA CLAUDIO CREMONESI DI PAULLO VIA MASCHERPA 29 ORGANIZZA UCCISIONI, ED ANCHE "EVENTUALI NEOPIDUISTE STRAGI", PRESSO CRIMINALISSIMA IMQ DI VIA PRIVATA MARCO FABIO QUINTILIANO 43 MILANO: ALIAS, QUALCOSA DI GEMELLO ALLE MEGA AMMAZZANTI MILIONI DI PERSONE, DINA DI AUGUSTO PINOCHET, GHESTAPO DI ADOLF HITLER E OVRA DE ER PUZZONE PORCO BENITO MUSSOLINI! AGAIN AND AGAIN AND AGAIN: IL TUTTO, PRESSO CRIMINALISSIMA. BASTARDA IMQ DI VIA PRIVATA MARCO FABIO QUINTILIANO 43 MILANO ( CONTROLLATA DA SERVIZI SEGRETI ASSASSINI, OVVIAMENTE). IL BASTARDO ASSASSINO CLAUDIO CREMONESI PREPARA UCCISIONI DI CHIUNQUE NON SIA MERDACCIA PREZZOLATA COME LUI, DA NOTO PEDOFILO MA-F-ASCISTA SILVIO BERLUSCONI (PER NON DIRE DEL SILVIO BERLUSCONI MASSO-N-AZISTA, MEGA MANDANTE DI OMICIDI E STRAGI ....PROPRIO COSI’, AVETE LETTO BENISSIMO.. PER NON DIRE DEL SILVIO BERLUSCONI STRAGISTA, MEGA MANDANTE DI CENTINAIA E CENTINAIA DI OMICIDI MASCHERATI DA FINTI MALORI, SUICIDI, INCIDENTI.... ED ANCORA... SILVIO BERLUSCONI VERMINOSO DITTATORE, MAFIOSO, CAMORRISTA, NDRANGHETISTA, MEGA RICICLA SOLDI MAFIOSI, CAMORRISTI, NDRANGHETISTI…AND AGAIN AND AGAIN AND AGAIN... SILVIO BERLUSCONI PEDOFILO, IMMENSO LADRO, TRUFFATORE, PAGLIACCIO, FALSO, POR-CORRUTTORE E TANTO DI TERRIFICANTE ALTRO). AGGIUNGIAMO INFINE A PROPOSITO DEGLI ALTRI DELINQUENTI DI ULTERIORE RIFERIMENTO DELLA DIARREASSASSINA CLAUDIO CREMONESI DI IMQ E PAULLO VIA MASCHERPA 29. OSSIA I PRIMA CITATI RAZZISTI, PREZZOLATI, FALSI, VISCIDI, NAZIRAZZISTI E LADRONI ROBERTO MARONI, ROBERTO COTA ( QUELLO DELLE MUTANDE PEDERASTA, VERDE ROSA, COMPRATE A BOSTON COI SOLDI DEL POPOLO CIUCCIO), LUCA ZAIA, MATTEO SALVINI, UMBERTO BOSSI E SUOI VERMI DEL KU KLUK KLAN PADANO. TIPO IL MEGA LAVA EURO MAFIOSI O FRUTTO DI MEGAMAZZETTE O MEGA FURTI RIGUARDANTI LL LEGA LADRONA ED EX PDL POPOLO DI LADRONI, IL GIA’ TANTE VOLTE IN CARCERE: BASTARDO ASSASSINO TANTO QUANTO, PAOLO BARRAI NATO A MILANO IL 28.6.1965 ( DI CRIMINALISSIMA WMO SA PANAMA, CRIMINALISSIMA BSI ITALIA SRL DI VIA SOCRATE 26 A MILANO ( PURE CONTROLLATA DA SERVIZI SEGRETI ASSASSINI) E CRIMINALISSIMO, MEGA ARCI TRUFFATORE BLOG MERCATO LIBERO NOTO A TUTTO IL MONDO COME “MERDATO” LIBERO, IN QUANTO FA PERDERE I SOLDI DI TUTTI E SEMPRE). ESSENDO “BERLUSCONES CLASSIC E NON CERTO SPECIAL”, VI SONO SEMPRE PIU' WHISTLEBLOWINGS, CHE IL, PROPRIO COSI', PURE PEDOFILO CLAUDIO CREMONESI DI IMQ E DI PAULLO VIA MASCHERPA 29, INCULI DA SEMPRE IL FIGLIO FILIPPO CREMONESI (NATO A LODI IL 26.1.1992) ED INCULI DA SEMPRE, ANCHE L'ALTRO FIGLIO, MATTIA CREMONESI (NATO A SEGRATE IL 4.9.1998)! INSIEME A MOGLIE, NOTA SCHIFOSA PROSTITUTA, IMMENSA TROIA MONICA LONGERI (LODI 31.1.1970), SEMPRE DI PAULLO, VIA MASCHERPA 29. PER TANTI ANNI ( E, FATEMELO DIRE, PLS: TANTI A-N-I) AD (H)AR(D)CORE A FARE DEPRAVATO SESSO ANALE CON SCHIFOSI, PERVERTITI, BAVOSI, OMICIDA, MAFIOSI E NAZISTI VECCHI BERLUSCONICCHI! CI FAN CANCELLARE QUESTE ASSOLUTE VERITA', PROPRIO IN QUANTO TALI ( LEGGI CENSURA MAFIOSA BERLUSCONAZISTA E PADANAZISTA). MA PER OGNI COMMENTO CANCELLATO, NE RIAPPAIONO CENTOTTANTASETTE E MEZZO. ANZI.. E TRE QUARTI. SOON BACK!!!!!!

    ResponderEliminar